Fragmentos meus, se é que posso ou devo apropriar-me assim
Por se tratar de fragmentos roubados, compartilhados,
encontrados, conquistados ou apenas ricamente observados.
Fragmentos de sorrisos, leves, lerdos, ligeiros, largos, de
canto, aqueles que surgem de um nada e os que ansiosamente são esperados.
Fragmento de palavras ditas e omitidas, sinceras e
mascaradas, desenhadas ou rabiscadas, que me levam e me trazem, me escondem e me
revelam à instantes momentâneos.
Fragmentos trazidos por enxurradas, ventanias, rebuscados
pelo tempo e transformados pelo tráfego e pedágio do caminho.
Tantos são, foram e serão, fragmentos de metades inteiras
que me formam, devoram, e é a eles que devo a minha vasta e limitada existência.





